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O Parlamento Britânico

 O Parlamento Inglês possui suas raízes nos tempos medievais, onde na Inglaterra vigorava uma heptarquia dividida em diversos condados e estes, por sua vez, eram divididos em média em 10 vilas, onde cada uma possuía aproximadamente 10 casas. A reunião para resolver conflitos entre os condados era chamada de Shire Moot , onde cada condado enviava quatro dos seus melhores homens para os representar diante do Xerife e do Bispo a fim de criar leis comuns, dando origem à Casa dos Comuns. Já a reunião dos sábios do rei, chamada de Witanagemot , deu origem à Casa dos Lordes. Com a unificação da Inglaterra para fazer frente às invasões vikings, os ingleses centralizam seu sistema jurídico. Já com a tomada viking e a posterior conquista normanda, há uma centralização crescente de poder nas mãos do monarca, que só será “barrada” com a assinatura do rei da Magna Carta, pressionado pelos barões em 1215. Após a Guerra das Duas Rosas (1455-1487), há uma reorganização política, social e religiosa...

Filosofia da História: O Tempo

A Filosofia da História é uma área da Filosofia que propõe uma reflexão sobre a dimensão temporal nas manifestações e existência humanas em suas perspectivas artísticas, sociais, culturais e jurídicas. Uma das áreas de investigação principal é a questão do tempo, da memória e do progresso.  G.W.F.Hegel (1770-1831) publicou seu livro "Filosofia da História" em 1837, inspirado nas ideias iluministas como as de Voltaire Na Grécia Antiga, Platão propôs a noção de tempo como “uma imagem do eterno desenrolar, ritmada pelo número” e a eternidade como “a negação do tempo” (AUGUSTO, 1989, p. 4). Com Aristóteles, o tempo será posto dentro de uma análise racional; já com os estóicos, o tempo adquire uma noção tripartida: Kronos (passagem/mudança), Aion (o presente enquanto tal) e Kairós (o momento oportuno de decisão). Com influências platônicas, Agostinho de Hipona entenderia o tempo como um caminho para o o homem se “desmaterializar” e se “espiritualizar” numa ideia de “aperfeiçoam...

A Era dos Descobrimentos

A Era dos Descobrimentos marcou o início da Idade Moderna com inúmeras viagens sendo realizadas por grandes exploradores e navegadores através, principalmente, do Oceano Atlântico com vistas a chegar no Oceano Índico e nas Índias. Tentativa essa que, feita de diferentes formas pelos países europeus, levou ao descobrimento de terras ainda não "conhecidas" ¹ e inexploradas como o continente americano.  As Grandes Navegações, como é chamado a série de tentativas dos europeus em chegar às Índias atracando em diferentes ilhas e terras, começou em 1415 com a tomada de Ceuta pelos portugueses. Em 1458 conquistaram Alcácer Ceguer e em 1471 Arzila e Tânger, ampliando a conquista portuguesa do Marrocos. Em 1420, Portugal ocupou a Ilha da Madeira, sete anos depois os Açores, já em 1434 Gil Eanes contornou o Cabo do Bojador tornando a navegação pelo litoral do continente africano possível. Em 1460 tomam Cabo Verde e, São Tomé em 1471. Entre 1482 e 1486, Diogo Cão chegou a Angola e no ri...

Introdução à Estética

A palavra Estética foi cunhada por Alexander Baumgarten (1714-1762) com base nos termos gregos aisthétikós (“que possui a faculdade de sentir”) e aisthésis (“sensação”). Todavia, muito tempo antes, a noção do “Belo” e da Arte já eram discutidas, remontando aos tempos da Antiguidade Na Grécia Antiga, para Platão (348/‎347 – 428/‎427 a.C.), por exemplo, a arte imitava a realidade ( mimese ), e poderia produzir formas distorcidas de ideias perfeitas, logo apesar de ser inspirada divinamente, deveríamos acessar a beleza apenas através do intelecto, pois o belo no mundo sensível se assemelharia a noção de belo no mundo das ideias. Portanto, numa “cidade perfeita” não poderia haver poetas extramamente bons, apesar de todo o seu valor reconhecido, já que poderia induzir os jovens a prática de valores errados. “ A poesia do homem sensato será sempre obscurecida pelo canto dos enlouquecidos ” (Fedro, 245a-b). Como diz no seu livro A República :   [...] se viesse à nossa cidade algum indiv...

O Império Romano

Antes de ler, clique no link a seguir sobre a história da Monarquia e da República Romana, onde você entenderá sua dissolução e o surgimento do Império com Otávio Augusto em 27 a.C. -  https://diariodeumfuturohistoriador.blogspot.com/2022/08/roma-origem-e-republica.html Pax Romana “Otávio Augusto inaugurou um período de relativa paz interna que durou 250 anos (31 a.C – 235 d.C). Esse período ficou conhecido como a  Pax romana ” (FUNARI, 2021, p. 100).  Nesse tempo a infraestrutura romana foi sendo desenvolvida a permitir que postos militares estivessem espalhados por todo o Império, de forma a possibilitar uma administração burocrática eficiente e rápida na solução de problemas. Isso não quer dizer que durante esse tempo não houve revoltas, houve várias mas todas elas foram esmagadas com certa velocidade.  A integração das províncias no exército contribuiu bastante para a difusão da cultura romana e do latim. Os destacamentos que permaneciam nos locais conquistados e...

A Nossa Herança Medieval

A Antiguidade acabou, mas continuamos com o sistema de democracia dos gregos, o direito romano, o monoteísmo judaico, utilizamo-nos da agricultura de regadio dos egípcios e moramos em cidades como as dos mesopotâmicos. Da mesma forma, a Idade Média nos trouxe inúmeras coisas que permaneceram até a atualidade. Territorialmente, a Idade Média foi crucial para determinar os contornos políticos e territoriais da Europa atual. Apesar de muito modificada com a expansão napoleônica e com as Grandes Guerras, as culturas locais e identitárias são fruto desse período.  A Guerra entre a Rússia e a Ucrânia remonta a um conflito medieval em Rus de Kiev sobre a dominação russa no território atual ucraniano. O pedido de independência da Catalunha na Espanha remete ao Condado de Barcelona que teve um domínio carolíngio no século VIII, diferenciando-se do restante da península ibérica, que estava sendo invadida pelos mouros. O Brexit demonstra claramente a independência e distinção do Reino Unido ...

Roma: Origem e República

Monarquia   Roma surgiu como uma cidade de solo fértil a 25 quilômetros da foz do rio Tibre, cuja nascente se encontra na cordilheira montanhosa central da península Itálica, os Apeninos. Nessa região, habitavam os povos latinos, sabinos e etruscos. Mito de fundação de Roma: Os irmãos Rômulo e Remo são amamentados por uma loba A cidade de Roma foi fundada em 753 a.C., segundo a lenda, por Rômulo, filho do deus da guerra, Marte, e de Reia Sílvia, filha do rei Numítor, de Alba Longa.  Segundo os historiadores antigos como Tito Lívio, Roma teve 7 monarcas entre sua fundação e a criação da República, em 509 a.C. Foram eles: Rômulo (753-717 a.C.), Numa Pompílio (717-673 a.C.), Tulo Hostílio (672-641 a.C.), Anco Márcio (639-616 a.C.),   Tarquínio Prisco (616-579 a.C.), Sérvio Túlio (578-535 a.C.) e Tarquínio, o Soberbo (534-510 a.C.), etrusco, que foi deposto pelo Senado, dando início a República.  No  início era apenas um pequena povoação, mas a partir do século VI, ...

A Baixa Idade Média e seus Conflitos

Durante a Alta Idade Média (séc. V a X) houve uma ruralização da Europa, uma consolidação da Igreja e uma descentralização política e econômica que caracterizou o feudalismo. As relações se baseavam em laços de fidelidade e honra mútua entre nobres (suseranos e vassalos) e entre senhores feudais e servos.  Já a partir do século XI (Início da Baixa Idade Média), com o início das Cruzadas, o continente europeu começou a ver um ressurgimento comercial e urbano em seus territórios, devido à ascensão de uma nova classe social: a burguesia. Antes, o feudo continha tudo o que o camponês e o senhor precisassem, fabricando seus próprios produtos e consumindo-os internamente. Não havia excedente de produção, pois não havia procura para tal. Com o amplo contato entre o Oriente e o Ocidente nos séculos que se seguiam às Cruzadas, o comércio apareceu como alternativa para a vida camponesa. Grandes feiras começaram a serem montadas, não eram mais apenas comércios locais semanais, mas amplos espa...

O Império Greco-Macedônico

Até a ascenção de Filipe II (382 – 336) ao trono em 359 a.C., a Macedônia era uma monarquia constituída por uma nobreza tribal e uma vasta população de camponeses arrendatários livres. Com a unificação das tribos e estados macedônicos através do rei Filipe II, a Macedônia se viu pronta para expandir seus domínios para os terrirórios gregos já debilitados pelas inúmeras guerras entre as poleis. Anexando as minas de ouro da Trácia, possuiu os recursos necessários para sua hegemonia militar e cultural que foi solidificada com Alexandre Magno. A cavalaria, que era até então subordinada aos hoplitas “foi renovada e ligada de maneira mais maleável à infantaria, a qual dispensou parte do armamento pesado hoplita para ganhar mais mobilidade e utilizar mais a lança longa nas batalhas” (ANDERSON, 2016, p. 54). Criando novos cidadãos entre os gregos e os demais habitantes nas regiões conquistadas, urbanizando seu território rural e se aproveitando do melhor da filosofia, governo e cultura proveni...