Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens com o rótulo Arqueologia

Os Povos do Mar e o Colapso da Idade do Bronze

Os Povos do mar é uma denominação recente aplicada por Emmanuel de Rougé1e por Gaston de Maspero2, sobre um grupo de povos diferentes que parecem ter efetuado um movimento migratório/invasor na direção oeste-leste na costa sul da Anatólia e, depois, infletido de norte para sul, chegando a atacar o Egito, mas sendo derrotados duas vezes, após sucessivas vitórias ao longo da costa cananeia. As fontes egípcias datadas do século XII e XIII a.C afirmam que esses povos eram provenientes das “ilhas que estão no meio do Grande Verde”.3 Esse “Grande Verde” é entendido comumente pelos hebreus e semitas como sendo o Mar Mediterrâneo, provavelmente se extendendo até o Mar Egeu. Porém, devido a pouca documentação e carência de informação, essa proposição tem sido refutada por Alessandra e por Claude Vandersleyen.4 Todavia, no extrato tirado da inscrição do 8° ano de Ramsés III, cerca de 1190 a.C, é citado alguns dos nomes que formavam essa “confederação”: Filisteus, Tjeker, Shekelesh, Denyen e Wesh...

A Cúria Júlia como Lugar de Poder no Principado de Augusto

 A Cúria Júlia foi um edifício construído inicialmente por Júlio César para abrigar as assembleias do Senado. Após seu assassinato, foi terminada por Otávio Augusto em 29 a.C. Foi danificada e reconstruída diversas vezes até o fim do Império Romano. No início do Principado de Augusto, ela teve uma posição crucial e talvez “nova” para uma Roma até então republicana. É sobre a posição do Senado no início do império enquanto lugar de poder que iremos abordar a seguir.  Localizada em meio ao fórum romano, um lugar antropológico geométrico por excelência, a Cúria Júlia era um dos principais focos de poder no principado de Augusto. Denominada assim por causa da gens Júlia da qual Otávio fazia parte, o nome já deixava claro de quem emanava a maior parte do poder: do imperador. Embora seja errado pensar que o Senado neste tempo só detinha poderes figurativos, também não vemos nesse período uma diarquia . “Podemos concluir que, apesar de o Senado ter perdido sua hegemonia polític...

A Sociedade NOK

Por volta de meados do século XX, o arqueólogo britânico Bernard Fagg (1915 – 1987) encontrou acidentalmente, durante uma mineração de estanho aluvial, nas proximidades da vila de Nok, no centro da Nigéria, esculturas artísticas de terracota representando animais e humanos pertencentes a uma cultura singular. A Cultura Nok, como ficou conhecida, teve seu mapa feito e ampliado após descobertas de outras localidades com o mesmo padrão de esculturas, se estendendo aproximadamente de norte a sul por cerca de 500 quilômetros do centro da Nigéria. Supõe-se que as terracottas de Nok representem as “esculturas figurativas mais antigas conhecidas até agora da África Subsaariana” (AMEJE; BREUNING; RUPP, 2005 p.283). Da mesma forma, podem oferecer a “primeira evidência de especialização artesanal" nas culturas da África ao sul do Saara (2005, p.284).  Escultura NOK Todavia vale destacar que não foi apenas materiais de terracota que foram encontrados. Fagg escavando em Taruga descobriu locais...

A Arqueologia e os Museus no Brasil

A palavra Arqueologia tem sua origem etimológica no grego αρχαιολογία (“ arkhaiologia ”) , de “ archaios ” que significa “antigo” ou “coisas antigas”, e de “ logos ” que significa estudo ou discurso. Portanto, na sua origem, a arqueologia se firma como o “estudo das coisas antigas” (FUNARI, 2013: 23). Hoje em dia, ela pode ser definida como a “ciência que estuda os restos materiais deixados sobre o solo” buscando reconstituir e interpretar o passado humano (Dicionário de Arqueologia – Alfredo Mendonça de Souza, 1997). Entre os séculos XV e XVII foram formados muitas coleções de objetos raros ou curiosos que “receberam o nome de Gabinetes de Curiosidades ou Câmaras de Maravilhas, em alemão " Kunst und Wunderkammer ” (RAFFAINI,1993:159). Esses “gabinetes” eram mantidos por nobres, ricos burgueses, artistas, humanistas, e foram o prenúncio do que viriam a se tornar os museus um dia. Tinham o objetivo de englobar todo o universo conhecido com objetos e artefatos fantásticos e exótic...

A Mumificação no Egito Antigo segundo Heródoto

Múmia Egípcia em um tomógrafo na Itália [1] Heródoto, geógrafo e historiador grego, nascido no século V a.C. em Halicarnasso, descreveu e narrou em seu livro “Ἰστορἴαι” (Histórias) diversos fatos que têm como pano de fundo as Guerras Médicas travadas entre as poleis da Grécia e o Império Aquemênida. No seu segundo livro, denominado pelo nome Euterpe (uma das nove musas da mitologia grega), Heródoto nos conta um pouco sobre como era o processo de mumificação no Egito Antigo, consistindo na lavagem, limpeza, unção e bandagem do corpo. Havia pessoas encarregadas por lei para realizar embalsamamentos e que faziam disso profissão. Após a morte de um ente querido e/ou um cidadão conceituado, a família, tanto os homens como as mulheres andavam pelas ruas batendo em seus peitos lamentando a morte dele. Após isso, levavam o corpo para o embalsamamento. Assim, os professionais mostravam modelos de mortos em madeira, pintados ao natural para a família escolher. Acertado o preço, os parentes reti...