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Roma: Origem e República

Monarquia 

Roma surgiu como uma cidade de solo fértil a 25 quilômetros da foz do rio Tibre, cuja nascente se encontra na cordilheira montanhosa central da península Itálica, os Apeninos. Nessa região, habitavam os povos latinos, sabinos e etruscos.

Mito de fundação de Roma: Os irmãos Rômulo e Remo
são amamentados por uma loba

A cidade de Roma foi fundada em 753 a.C., segundo a lenda, por Rômulo, filho do deus da guerra, Marte, e de Reia Sílvia, filha do rei Numítor, de Alba Longa. Segundo os historiadores antigos como Tito Lívio, Roma teve 7 monarcas entre sua fundação e a criação da República, em 509 a.C. Foram eles: Rômulo (753-717 a.C.), Numa Pompílio (717-673 a.C.), Tulo Hostílio (672-641 a.C.), Anco Márcio (639-616 a.C.), Tarquínio Prisco (616-579 a.C.), Sérvio Túlio (578-535 a.C.) e Tarquínio, o Soberbo (534-510 a.C.), etrusco, que foi deposto pelo Senado, dando início a República. 

No início era apenas um pequena povoação, mas a partir do século VI, com a organização da Etrúria enquanto pólis, esta passou a dominar Roma. Todavia, os seus nobres, através da liderança de Brutus, expulsaram os reis etruscos "Tarquínios" e fizeram um governo de cônsules eleitos pelo próprio Senado,  onde um liderava o exército e outro a aristocracia.

República

“O início do crescimento da República Romana seguiu o curso normal de qualquer cidade-estado clássica ascendente: guerras locais com cidades adversárias, anexação de terra, sujeição de “aliados” e fundação de colônias” (ANDERSON, 2016, p. 61). Todavia, diferentemente das cidades gregas que passaram por modificações na forma de governo, indo de tiranias a democracias, Roma manteve o poder de uma nobreza hereditária por meio de uma constituição cívica extremamente complexa, que chegou a passar por transformações populares ao longo do período de disputas sociais dentro da urbs, mas nunca teve seu poder abolido até o final do império. Organizando um poderoso exército, integrando as regiões dominadas à cidadania romana e/ou a prestação de forças em tempos de guerra, cobrando impostos, ampliando o comércio e arrecadando cada vez mais mão-de-obra escravista, Roma se tornou a maior potência de sua época atingindo seu auge no século II d.C.

Na organização política romana, havia os pretores, encarregados da justiça e de sua execução; os edis, encarregados da administração pública; os censores, que revisavam a lista de senadores, controlavam contratos e realizavam o recenseamento da população; e os questores, que formavam uma espécie de tesoureiro responsável pelo recolhimento de impostos. Depois de alguns anos, com os conflitos entre patrícios plebeus, Roma teve um novo cargo: o de tribuno da plebe, que era composto de magistrados que defendiam as causas dos plebeus com poder de veto sobre as decisões do Senado. Além desses cargos que compunham a magistratura romana, também havia as assembleias romanas, divididas nas centuriatas, nas quais os cidadãos romanos votavam armados no Campo de Marte e decidiam as principais questões do Estado; as tribais, na qual os cidadãos votavam segundo sua região de origem; e as plebeias, aberta a todos os cidadãos plebeus e clientes.   

Fórum Romano e o Monte Palatino

Com uma organização política aparentemente estável, após a unificação interna da Itália, os romanos se atiraram ao mar pelo domínio do Mediterrâneo lutando contra os cartaginenses nas Guerras Púnicas, depois das quais ocuparam a Sicília, a primeira província romana. “Os exércitos de romanos e aliados atacaram, a seguir, em duas frentes: uma ao norte do Mediterrâneo e na península ibérica, outra no Mediterrâneo Oriental (GUARINELLO, 2013, p. 128 – 129). Assim, Roma com seu exército bem organizado composto de cidadãos romanos, derrota o último rei macedônico, Perseu, em 167 a.C., destrói Corinto em 146 a.C., sufoca as revoltas em Pérgamo em 128 a.C., e vence a Guerra de Jugarta na Numídia em 106 a.C. A prosperidade expansionista romana do século II a.C. só seria apagada pelas graves crises econômicas e sociais do século I a.C. 

O historiador Guarinello (2013) aponta que após a criação da moeda pela Lídia no século VI a.C., a única “bolha financeira” conhecida da Antiguidade foi a que ocorreu no último século antes de Cristo, onde houve altas e quedas surpreendentes nas taxas de juros dos empréstimos privados e das cidades conquistadas. Esse fato, junto de crises institucionais e civis, acabou gerando a Guerra Social (91–88 a.C.), onde os aliados de Roma se rebelaram por uma maior participação nos despojos de guerra. Esta só acabou com a aprovação da Lei Júlia em 90 a.C. – apesar de muitos revoltosos continuarem lutando – estendendo a cidadania romana para todos os cidadãos de pólis itálicas ao sul do vale do Pó.

Diante desse clima de instabilidade política, ascende ao poder três generais muito poderosos: Júlio César, comandando a Gália, Pompeu, governando a península ibérica – já havia tomado Jerusalém em 63 a.C. – e Crasso, responsável pelo governo da Síria, formando então a aliança informal do Primeiro Triunvirato. Em 55 a.C., Crasso morreu na Batalha de Carras, na Síria, e as relações entre Pompeu e César, este agora cônsul, se desgastaram, transformando Roma em um imenso palco de diversas batalhas entre os exércitos de César e de Pompeu, o qual é assassinado no Egito e tem César como Ditador de Roma. Todavia este também é morto por integrantes do Senado em 44 a.C., gerando então o Segundo Triunvirato, que foi uma aliança formal entre Otávio, Émilo Lépido e Marco Antônio.

Caio Júlio César

Lépido foi afastado do poder político, se instaurando mais uma guerra civil em Roma, agora entre Antônio e Otávio. Este, por sua vez, vence os conflitos e unifica o poder em torno de si. Otávio recebe o título de Princeps do Senado em 28 a.C. e Imperator em 27 a.C.. Nesse mesmo ano ele abdica de todos os seus cargos, proclamando a restauração da República, mas sendo a proclamação vetada também pelo Senado, o qual lhe confere o título de Augustus, dando início ao período imperial de Roma.

Para saber mais sobre a história do Império Romano acesse o link a seguir: https://diariodeumfuturohistoriador.blogspot.com/2022/09/o-imperio-romano.html

Referências

ANDERSON, Perry. Passagens da Antiguidade ao Feudalismo. Tradução de Renato Prelorentzou. São Paulo: Editora Unesp, 2016.

FUNARI, Pedro Paulo. Grécia e Roma. 6° ed. São Paulo: Contexto, 2021.

GUARINELLO, Norberto Luiz. História Antiga. São Paulo: Contexto, 2013.

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