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Mostrando postagens com o rótulo Historiografia

Análise Crítica do livro "O que é História Cultural?" - Peter Burke

Peter Burke nasceu em Stanmore, Inglaterra, em 1937. Importante historiador na á rea da cultura, das ideias e na parte social, lecionou nas Universidades de Essex, Sussex, Princeton, Cambridge e S ã o Paulo. O livro O que é Hist ó ria Cultural? é um dos cl á ssicos na historiografia contempor â nea. Abordando a hist ó ria da Hist ó ria Cultural, Peter Burke tra ç a uma linha do tempo com as principais obras consagradas da historiografia cultural, seus autores, movimentos filos ó ficos e antropol ó gicos e suas influ ê ncias nos “ estudos culturais. Tendo sido publicado em 2004, o livro é destinado principalmente a estudantes de hist ó ria, historiadores e pessoas interessadas em conhecer mais da Hist ó ria Cultural. No in í cio do novo mil ê nio, Burke tentou tra ç ar uma hist ó ria dos m é todos empregados pela historiografia nos estudos culturais e sociais at é a virada do s é culo, mas ap ó s a revis ã o das edi çõ es, ele mesmo p ô de ampliar a sua colet â nea e an á lise da...

Filosofia da História: O Tempo

A Filosofia da História é uma área da Filosofia que propõe uma reflexão sobre a dimensão temporal nas manifestações e existência humanas em suas perspectivas artísticas, sociais, culturais e jurídicas. Uma das áreas de investigação principal é a questão do tempo, da memória e do progresso.  G.W.F.Hegel (1770-1831) publicou seu livro "Filosofia da História" em 1837, inspirado nas ideias iluministas como as de Voltaire Na Grécia Antiga, Platão propôs a noção de tempo como “uma imagem do eterno desenrolar, ritmada pelo número” e a eternidade como “a negação do tempo” (AUGUSTO, 1989, p. 4). Com Aristóteles, o tempo será posto dentro de uma análise racional; já com os estóicos, o tempo adquire uma noção tripartida: Kronos (passagem/mudança), Aion (o presente enquanto tal) e Kairós (o momento oportuno de decisão). Com influências platônicas, Agostinho de Hipona entenderia o tempo como um caminho para o o homem se “desmaterializar” e se “espiritualizar” numa ideia de “aperfeiçoam...

O estudo da História e as memórias

O estudo da História é essencial para entendermos como chegamos até aqui, por que as coisas são o que são, compreender que muitos dos direitos que temos como naturais foram conquistados, forjados e formados pelos homens ao longo da história com muito suor, sangue e lágrimas. A memória, segundo Guarinello (2013: 08), é a grande “fundadora e legitimadora das identidades, porque é ela que define quais são as mais importantes, quais não são fluidas e passageiras e quais são aquelas que adquirimos de nascença, como herança de nossos ancestrais”. “Com efeito, o interesse do passado está em esclarecer o presente; o passado é atingido a partir do presente” (LE GOFF, 1990: 13-14).  Marc Bloch, antigo medievalista francês, afirma que se História não servisse para nenhuma função prática, ela ainda serviria para diversão, todavia, com falta de um sentido teleológico, faltaria algo a lhe legitimar. Não que ela precise de alguém ou de algo para legitimá-la, até mesmo porque sua funcionalidade es...

Maquiavel ou Calvino? Fortuna e Providência

Nicolau Maquiavel (1469 – 1527) e João Calvino (1509 – 1564) foram ambos personagens importantíssimos na história política e social do mundo. O primeiro mostrou a realidade política de seu tempo de forma espetacular, buscando preservá-la e fazê-la de modo que com que o soberano permanecesse no poder por mais tempo. O segundo, ao oposto do primeiro, buscava transformar a realidade a sua volta, mostrando os seus erros para que então os homens pudessem se arrepender. Maquiavel se tornou muito famoso por sua obra: O Príncipe , tido como “um modelo imoral de praticar o poder”, mas sendo “seguido à risca por quase a totalidade dos políticos que o criticam”. [1] Por outro lado, Calvino em seu livro As Institutas da Religião Cristã descreve sobre a salvação em Jesus e uma vida de piedade, portanto, entende que após a conversão do homem, este “já não só está aliviado e libertado da extrema ansiedade e do temor de que era antes oprimido, mas ainda de toda preocupação”. [2] Maquiavel desenvolve...

Síntese do livro Apologia da História ou O Ofício do Historiador - Marc Bloch

O livro Apologia da História ou o Ofício do Historiador foi feito durante a prisão do autor Marc Léopold Benjamim Bloch (1886 – 1944), portanto, sem uma vasta biblioteca para consultas e caracterizando a forma inacabada do livro, devido a morte do autor. Isso nos explica muitas coisas para uma total compreensão do livro. Marc Bloch, como é conhecido, foi um importante medievalista francês, fundador da Escola dos Annales em 1929, a qual tinha como proposta trazer novas perspectivas para o estudo da História e mudar sistematicamente a forma que a vemos, procurando criar uma Nova História. Bloch lutou na Primeira e Segunda Guerra Mundial e morreu fuzilado pela Gestapo por sua participação na Resistência de Lyon contra a invasão nazista na França. Seu livro pode ser considerado como um testamento de um historiador. A diferença do conteúdo da História no decorrer do tempo  O estudo histórico mudou muito de conteúdo e foco no decorrer do tempo, sendo característico de sua época e das i...