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Um Resumo de Lévi-Strauss e Geertz

A Antropologia do século XX só pôde ter suas maiores “experiências etnográficas” francesas a partir da década de 30 até a década de 80. Já o pioneirismo americano e inglês de Morgan e Tylor desenvolvido respectivamente por Boas e Malinowski, através de seus “sucessores” tanto americanos (Benedict e Mead por exemplo) quanto ingleses – como exemplo: Radcliffe-Brown, – tiveram suas ideias já presentes e exportadas desde o início do século. Nesse momento, Lévi-Strauss irá tornar a Antropologia francesa um rede complexa de teorias ligadas à Sociologia francesa, conceitos culturais de Boas e ao marxismo históricos-dialético, uma das maiores contribuições antropológicas da atualidade. Posteriormente, Geertz irá desenvolver um lado muito mais específico da Antropologia ligadas às ideias da Sociologia Compreensiva de Weber e análise crítca das obras de Lévi-Strauss.  Claude Lévi-Strauss (1908 – 2009) foi um antropólogo, professor e filósofo francês que delineou as principais fontes teóricas...

A Sociedade NOK

Por volta de meados do século XX, o arqueólogo britânico Bernard Fagg (1915 – 1987) encontrou acidentalmente, durante uma mineração de estanho aluvial, nas proximidades da vila de Nok, no centro da Nigéria, esculturas artísticas de terracota representando animais e humanos pertencentes a uma cultura singular. A Cultura Nok, como ficou conhecida, teve seu mapa feito e ampliado após descobertas de outras localidades com o mesmo padrão de esculturas, se estendendo aproximadamente de norte a sul por cerca de 500 quilômetros do centro da Nigéria. Supõe-se que as terracottas de Nok representem as “esculturas figurativas mais antigas conhecidas até agora da África Subsaariana” (AMEJE; BREUNING; RUPP, 2005 p.283). Da mesma forma, podem oferecer a “primeira evidência de especialização artesanal" nas culturas da África ao sul do Saara (2005, p.284).  Escultura NOK Todavia vale destacar que não foi apenas materiais de terracota que foram encontrados. Fagg escavando em Taruga descobriu locais...

Boas e Malinowski: Difusionismo e Funcionalismo

No final do século XIX e no início do século XX, vimos uma ebulição de diferentes teorias antropológicas. Uns queriam, como Durkheim, sistematizar a etnologia que já vinha sendo feita nos últimos anos, e outros queriam consolidar a etnografia na base da Antropologia. A Etnografia seria nada mais do que o trabalho de campo, a imersão do pesquisador na sociedade estudada. Já a Etnologia seria a síntese do estudado através de conclusões tiradas por relatos de viajantes, missionários e exploradores. Mais tarde, Lévi-Strauss vai dizer que esta é a segunda etapa do trabalho antropológico, feita com base nos relatos do próprio antropólogo e não nos de outrem. Em meio a esse turbilhão de ideias, surge dois pensamentos opostos ao determinismo adotado inicialmente e as posteriores ideias evolucionistas, o difusionismo e o funcionalismo, representados, principalmente e respectivamente, por Boas e Malinowski.   Franz Uri Boas (1858 – 1942), antropólogo e geógrafo teuto-americano, chamado ...

A Arqueologia e os Museus no Brasil

A palavra Arqueologia tem sua origem etimológica no grego αρχαιολογία (“ arkhaiologia ”) , de “ archaios ” que significa “antigo” ou “coisas antigas”, e de “ logos ” que significa estudo ou discurso. Portanto, na sua origem, a arqueologia se firma como o “estudo das coisas antigas” (FUNARI, 2013: 23). Hoje em dia, ela pode ser definida como a “ciência que estuda os restos materiais deixados sobre o solo” buscando reconstituir e interpretar o passado humano (Dicionário de Arqueologia – Alfredo Mendonça de Souza, 1997). Entre os séculos XV e XVII foram formados muitas coleções de objetos raros ou curiosos que “receberam o nome de Gabinetes de Curiosidades ou Câmaras de Maravilhas, em alemão " Kunst und Wunderkammer ” (RAFFAINI,1993:159). Esses “gabinetes” eram mantidos por nobres, ricos burgueses, artistas, humanistas, e foram o prenúncio do que viriam a se tornar os museus um dia. Tinham o objetivo de englobar todo o universo conhecido com objetos e artefatos fantásticos e exótic...

A Mumificação no Egito Antigo segundo Heródoto

Múmia Egípcia em um tomógrafo na Itália [1] Heródoto, geógrafo e historiador grego, nascido no século V a.C. em Halicarnasso, descreveu e narrou em seu livro “Ἰστορἴαι” (Histórias) diversos fatos que têm como pano de fundo as Guerras Médicas travadas entre as poleis da Grécia e o Império Aquemênida. No seu segundo livro, denominado pelo nome Euterpe (uma das nove musas da mitologia grega), Heródoto nos conta um pouco sobre como era o processo de mumificação no Egito Antigo, consistindo na lavagem, limpeza, unção e bandagem do corpo. Havia pessoas encarregadas por lei para realizar embalsamamentos e que faziam disso profissão. Após a morte de um ente querido e/ou um cidadão conceituado, a família, tanto os homens como as mulheres andavam pelas ruas batendo em seus peitos lamentando a morte dele. Após isso, levavam o corpo para o embalsamamento. Assim, os professionais mostravam modelos de mortos em madeira, pintados ao natural para a família escolher. Acertado o preço, os parentes reti...

Maquiavel ou Calvino? Fortuna e Providência

Nicolau Maquiavel (1469 – 1527) e João Calvino (1509 – 1564) foram ambos personagens importantíssimos na história política e social do mundo. O primeiro mostrou a realidade política de seu tempo de forma espetacular, buscando preservá-la e fazê-la de modo que com que o soberano permanecesse no poder por mais tempo. O segundo, ao oposto do primeiro, buscava transformar a realidade a sua volta, mostrando os seus erros para que então os homens pudessem se arrepender. Maquiavel se tornou muito famoso por sua obra: O Príncipe , tido como “um modelo imoral de praticar o poder”, mas sendo “seguido à risca por quase a totalidade dos políticos que o criticam”. [1] Por outro lado, Calvino em seu livro As Institutas da Religião Cristã descreve sobre a salvação em Jesus e uma vida de piedade, portanto, entende que após a conversão do homem, este “já não só está aliviado e libertado da extrema ansiedade e do temor de que era antes oprimido, mas ainda de toda preocupação”. [2] Maquiavel desenvolve...

Os “Pais da Antropologia”

Morgan, Tylor e Frazer (da esquerda para a direita) D urante os séculos XVI e XVII foram formados muitos “gabinetes de curiosidades” apresentando diversos objetos exóticos das explorações feitas nas Américas. Nesse tempo, diversos viajantes, religiosos e aventureiros esboçaram o que iríamos chamar postumamente de um estudo “ pré-antropológico ”. Já no decorrer do século XVIII, tivemos a gradual transformação desses “gabinetes” em museus. Houve um começo de um “ projeto antropológico ” associando o homem não mais como apenas o sujeito do conhecimento, mas o seu próprio objeto, principalmente após as “descobertas” coloniais na Oceania. No século XIX, com a ascensão de teorias positivistas, evolucionistas e o imperialismo na África, o panorama da Antropologia começou a ganhar contornos definidos. Estudiosos como Morgan, Tylor e Frazer foram importantíssimos para que esse projeto ainda pioneiro se tornasse a ciência que hoje nós conhecemos.         ...

Sociedades e Desenvolvimento Tecnocientífico: Tipologias

Quadro divisório das teorias do desenvolvimento da sociedade em relação às técnicas utilizadas no decorrer do tempo:   1ª Fase 2ª Fase 3ª Fase JOSÉ ORTEGA Y GASSET TÉCNICA DO ACASO - Sociedades dita “primitivas”. - Todos os atos técnicos são realizados por todos os seus membros, sem especialização. ARTESANATO - Sociedade Grega, república-romana e medieval. - Aumento do repertório de atos técnicos e aparecimento do artesão como um técnico. SOCIEDADE ATUAL - Período que se desenvolve através do domínio das máquinas, oriundas da Revolução Industrial. - Configuração da classe engenheril na qual aplica o conhecimento científico através da técnica. LEWIS MUMFORD SOCIEDADE EOTÉCNICA - Sociedade do ano 1000 a 1750, caracterizada pelo uso da fonte gratuita de água e vento em contraposição com a fase seguinte. - Uso universal da madeira e também do ...