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Um breve estudo sobre a Ética II

Antes de ler o assunto de hoje, leia a primeira parte de nosso estudo sobre a ética clicando no link a seguir, onde aprendemos um pouco sobre conceitos primordiais desse tema: https://diariodeumfuturohistoriador.blogspot.com/2021/08/um-breve-estudo-sobre-etica.html. Leu? Espero que sim, pois agora trataremos de novas teorias éticas além das já elencadas no texto anterior, onde discutiremos um pouco sobre a ética na visão dos filósofos Habermas, Levinas e Husserl.

Ética do Discurso 

Jürgen Habermas nasceu em 1929, em Gummersbach, Alemanha. Suas principais obras são Técnica e Ciência como “Ideologia” (1968), analisando as relações capitalistas tecnicistas no mundo moderno; Teoria do agir comunicativo racionalidade da ação e racionalização social (1981), onde desenvolve uma teoria explicativa da sociedade contemporânea baseada na razão comunicativa; Direito e Democracia: Entre Facticidade e Validade (1992), que traz a noção de esfera pública, o coletivo e o individual. A Ética do Discurso segundo Habermas tem suas normas “fundamentadas em um diálogo racional com as quais todos os possíveis afetados por elas puderem consentir”. Ela é universal e transcultural quando uma norma controvertida entre participantes de um discurso prático possui consequências e efeitos colaterais que são aceitos por todos sem nenhum tipo de coação. Segundo Flávio Beno Siebeneichler em Reflexões sobre a ética do discurso: “O discurso prático é capaz de garantir – graças às suas características pragmáticas - um tipo de formação da vontade que abre espaço para o respeito dos interesses de cada sujeito sem romper o elo social que une cada um a todos os outros” (HABERMAS, 1991,p.18). Isso sugere a possibilidade de pensar um conceito deontológico de justiça mais amplo do que o elaborado por Kant e capaz de englobar aspectos estruturais de uma vida boa lançando mão de pontos de vista gerais da socialização comunicativa em geral (HABERMAS, 1991).

Jürgen Habermas (1929 -)

Ética da Alteridade 

Emmanuel Levinas nasceu em 1906, em Kaunas, Lituânia, quando esta ainda fazia parte da Rússia. Teve grande aproximação com o judaísmo e aos vinte e poucos anos foi para a França onde começou sua trajetória pela ética e política, morrendo ali em Paris, em 1995. Suas grandes obras são Da existência ao existente (1947), onde analisa questões como o Tempo e o Bem direcionado ao Outro e Totalidade e infinito (1961) onde explora a ideia do Outro, do Rosto Humano e do Infinito. Levinas entende que só existe um eu no reconhecimento de outrem. “A ética, aqui, não aparece como suplemento de uma base existencial prévia; é na ética entendida como responsabilidade que se dá o próprio nó do subjetivo” (SANTOS, 2016, p.39). O objetivo é chegar a uma subjetividade “constituída como um-para-o-outro, responsabilidade para com o outro, ser para o outro, um em lugar do outro e um refém do outro, antes de ser ente, sujeito, objeto, imagem, representação, ideia e tema” (Ibid., p.42).

Emmanuel Levinas (1906-1995)

Ética Intencionalista

Edmund Husserl nasceu em Prostějov, Tchéquia, em 1859, e morreu em1938, em Freiburg, Alemanha. Suas principais obras são: Investigações lógicas (1901), na qual funda a fenomenologia; e A Ideia da fenomenologia: Cinco Lições (1907), onde estabelece o método fenomenológico. Para o autor, os princípios éticos não são “simples expressões de fatos empírico-psicológicos da natureza humana, histórica e culturalmente formados nas circunstâncias causais dodesenvolvimento cultural humano” (2017, p. 139), mas sim vinculados a elementos eidéticos da lógica formal. Para Fernando Maurício Silva (Ibid.,p.139): o conhecer representa apenas uma espécie fundamental de atos da consciência, de modo que “nós não valoramos apenas o ser singular de modo singular, mas também universalmente, com o que formulamos juízos de valor universais fundados em atos intencionais afetivos e volitivos. “Toda decisão implica um ato de julgar, acerca do que caberia leis formais, mas as vivências são fundamentais para a racionalidade prática, o que torna o imperativo categórico necessário para as decisões” (Ibid., p.155). Para Husserl o melhor não é realizável idealmente, mas apenas circunstancialmente, “então tal imperativo é dependente de um princípio utilitarista do tipo ‘dos males o menos pior’, ‘antes de tudo não faça o mal’, ‘promova o melhor dos bens disponíveis’ “ (Ibid., 156).

Edmund Husserl ('1859-1938)

Referências

OLIVEIRA, M. A. de. Os desafios da ética contemporânea. Kairós — Revista Acadêmica da Prainha, ano V/1, jan./jun. 2008.

SANTOS, Amanda Rodrigues dos. Ética da Alteridade: cuidado e responsabilidade no encontro com outrem. Monografia (Graduação em Psicologia) – UFF, Volta Redonda, 2016.

SIEBENEICHLER, F. B. Reflexões sobre a ética do discurso. Logeion: Filosofia da Informação, [S. l.], v. 5, p. 67–83, 2018. DOI: 10.21728/logeion.2018v5n0.p67-83. Disponível em: http://revista.ibict.br/fiinf/article/view/4501. Acesso em: 29 mar. 2022.

SILVA, Fernando Maurício. Intencionalidade e ética formal em Husserl. Revista Guairacá de Filosofia, Guarapuava-PR, V33, N2, P. 130-159, 2017.

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