Pular para o conteúdo principal

O que é Cultura? Uma explicação simples para algo complexo

Cultura

Cultura pode ser compreendida como tudo aquilo que é produzido pelo homem, seja de forma material ou imaterial. É uma expressão humana particular que distingue um grupo social. Ela é um produto das sociedades humanas, logo não há cultura quando se trata de animais, bactérias, fungos, plantas, nada disso possui cultura. Padrões de comportamento, crenças, conhecimentos, costumes, tradições, língua, arte, tudo isso faz parte de uma cultura. Quando nascemos, tudo o que está a nossa volta possui uma cultura, nascemos em uma, podemos crescer em outra e ainda morrer em uma outra, mas nós possuímos e carregamos conosco uma herança cultural proveniente geralmente de onde nascemos ou de onde passamos a maior parte da vida.

Quando entramos em contato com uma cultura diferente ocorre o que chamamos de Estranhamento, sendo que seu resultado pode dar início a uma autorreflexão e uma interação com o novo e diferente o, pode vir acompanhada de uma visão etnocêntrica, que gerará uma negação daquilo que eu não conheço. Com base na relação com culturas diferentes nós formamos a nossa própria identidade cultural, quem nós somos e no que acreditamos e como agimos e reagimos, portanto, nossos comportamentos. Entretanto, isso só acontece porque há uma transmissão cultural por parte dos nossos pais, comunidade, grupos e nação. Há a transmissão formal, que ocorre pelas leis, códigos de conduta, escolas, universidades, onde são passados os valores morais e costumes da cultura dominante, e há também a transmissão informal, que cabe à família, amigos, instrumentos de comunicação de massa, na qual, pela convivência, os sentimentos, conceitos e valores dos que estão a nossa volta são passados para nós. 

Para que entendamos a cultura na sua complexidade, precisamos ter  alteridade, ver o outro a partir do outro, compreender que ele é diferente, mas que deve  ser respeitado e tratado com dignidade como todos, pois ele é um homem como qualquer  um. Entender isso nos faz mais tolerantes com o diferente e nos torna mais prontos para  descobrir novas coisas sem medo, podendo interagir com elas. Cada cultura tem seus próprios traços, suas próprias características que a definem, juntando todas essas características distintivas nós temos um complexo cultural. Um segmento da sociedade, que tem seus próprios complexos culturais, forma uma subcultura, recheada de padrões pré-estabelecidos. Portanto, várias subculturas formam uma cultura total, dependendo do referencial, podendo ser a cultura de um estado, país, região, continente, povos e por fim, toda a cultura humana em si.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Síntese do livro Apologia da História ou O Ofício do Historiador - Marc Bloch

O livro Apologia da História ou o Ofício do Historiador foi feito durante a prisão do autor Marc Léopold Benjamim Bloch (1886 – 1944), portanto, sem uma vasta biblioteca para consultas e caracterizando a forma inacabada do livro, devido a morte do autor. Isso nos explica muitas coisas para uma total compreensão do livro. Marc Bloch, como é conhecido, foi um importante medievalista francês, fundador da Escola dos Annales em 1929, a qual tinha como proposta trazer novas perspectivas para o estudo da História e mudar sistematicamente a forma que a vemos, procurando criar uma Nova História. Bloch lutou na Primeira e Segunda Guerra Mundial e morreu fuzilado pela Gestapo por sua participação na Resistência de Lyon contra a invasão nazista na França. Seu livro pode ser considerado como um testamento de um historiador. A diferença do conteúdo da História no decorrer do tempo  O estudo histórico mudou muito de conteúdo e foco no decorrer do tempo, sendo característico de sua época e das i...

Boas e Malinowski: Difusionismo e Funcionalismo

No final do século XIX e no início do século XX, vimos uma ebulição de diferentes teorias antropológicas. Uns queriam, como Durkheim, sistematizar a etnologia que já vinha sendo feita nos últimos anos, e outros queriam consolidar a etnografia na base da Antropologia. A Etnografia seria nada mais do que o trabalho de campo, a imersão do pesquisador na sociedade estudada. Já a Etnologia seria a síntese do estudado através de conclusões tiradas por relatos de viajantes, missionários e exploradores. Mais tarde, Lévi-Strauss vai dizer que esta é a segunda etapa do trabalho antropológico, feita com base nos relatos do próprio antropólogo e não nos de outrem. Em meio a esse turbilhão de ideias, surge dois pensamentos opostos ao determinismo adotado inicialmente e as posteriores ideias evolucionistas, o difusionismo e o funcionalismo, representados, principalmente e respectivamente, por Boas e Malinowski.   Franz Uri Boas (1858 – 1942), antropólogo e geógrafo teuto-americano, chamado ...

Crescente Fértil: Uma Introdução

O Crescente Fértil foi uma região que incluía desde do Egito Antigo, o Levante (Canaã, Fenícia, Moabe e Amom) e toda a Mesopotâmia Antiga, que era um “vale fluvial do Eufrates e do Tigre” podendo ser dividida em duas partes, respectivamente a noroeste e a sudeste do ponto de aproximação entre os dois rios: “a Alta Mesopotâmia, mais montanhosa, e a Baixa Mesopotâmia, imediatamente ao norte do golfo Pérsico, região extremamente plana” (CARDOSO, 1986, p. 29).   Na parte sul mesopotâmica, nós tivemos, principalmente nos momentos iniciais, a presença dos  sumérios , que “se julgava terem migrado por mar para a região, mas arqueologicamente se vinculavam ao sudoeste do Irã (o Elam, ou Susiana), e falavam uma língua aglutinante” ( Ibid ., p. 30). Já na parte norte, os  acádios  se fizeram mais presentes, um grupo que provavelmente veio do oeste, devido a sua língua semítica. Os acádios, sob a liderança de Sargão, O Velho, invadiram a Suméria e construíram o primeiro im...